terça-feira, 21 de abril de 2009

Revertendo um ínicio ruim

Mais um sábado palhacístico! Este último mês tem sido acompanhado de bastante palhaçada, com várias visitas aos hospitais e aulas todos os sábados a tarde. Apesar de já estar estudando esta arte do há 2 anos e meio, é apaixonante ver como ainda há muito a ser conquistado! Já consigo reconhecer alguns ganhos com o curso atual e isso me anima a buscar uma qualidade de trabalho melhor a cada dia.

Neste dia tive um grande desafio que foi conseguir a unidade estando num trio tão diverso. Como estamos em hospital novo e com turma nova, aos poucos estou conhecendo novos voluntários e isso traz novas possibilidades. Hoje conheci uma palhaça que tem uma linha de atuação bem distinta da minha. Confesso que fiquei assustado e quase desanimado quando a conheci (antes mesmo de estarmos de palhaço) pois notei que a linguagem dela conflitava bastante com a minha. Ainda enquanto me maquiava fui lutando contra esta impressão de que o dia seria ruim e fui tentando mudar meu olhar em relação a tudo isso. A verdade é que o cenário era aquele, não adianta querer as coisas que não existem, é muito mais maduro buscar realização e divertimento com aquilo que se tem nas mãos.

Deixando a filosofia de lado (rs), o dia de trabalho foi muito positivo! Me surpreendi várias vezes ao perceber que a mudança de atitude de minha parte permitiu que houvesse comunicação e sintonia com minha colega palhaça e isso garantiu boas cenas em diversos quartos. Não vou descrever todas aqui para abreviar um pouco o texto, mas foi uma experiência que valeu!
Um dos quartos que trouxe bastante diversão a nós e aos presentes foi um em que brincamos com o silêncio! É, adoro quando isso acontece! Normalmente queremos nos expressar só com palavras, mas usar outras formas de comunicação pode ser uma experiência “mágica”. Foi este o caso! Enquanto lá estávamos, um dos equipamentos do quarto apitou. A proposta que surgiu era que o apito tinha sido causado por conta do barulho. “Silêncio total”! Afonso começou a pedir silêncio a qualquer custo, para garantir que não houvesse um novo apito. A vó do garoto (acompanhante) disparou numa gargalhada gostosa e sem fim. Quanto mais o Afonso pedia que risse em silêncio, mais ela ria! Enquanto isso, uma das palhaças não obedeceu à ordem e acabou sendo levada para fora do quarto pelo próprio Afonso. Como mesmo de lá de fora ela conseguia incomodar, Janja, com todo o seu tamanho, resolveu ir lá fora resolver a situação. De dentro do quarto, pelo vidro da porta, o que se via era a Janja socando (que palhaços violentos... rs) a palhaça desobediente. A cena terminou quando o próprio Afonso sem querer disse alguma coisa e acabou tendo que se expulsar do quarto, “puxando-se” pela camisa.

Paro por aqui, deixando o resto das histórias registradas na memória daqueles que, por razões das mais diversas, ali se encontraram, viveram e exploraram um mundo até então desconhecido de todos.

Afonso Estafúrcio

terça-feira, 14 de abril de 2009

De casa nova!

Hospital Menino Jesus, aqui estamos nós!!! Depois de um tempo de vida de andarilho volto a estar alocado num único hospital. Ludovico e Malavazzi foram meus grandes companheiros nesta manhã, que passou rápida demais para a quantidade de “visitáveis” que tínhamos em nossa lista.

O dia praticamente começa com um pequeno acidente com um rolo de linha de crochê que estava ao lado de uma mãe tricoteira e que acabei chutando “sem querer”. Puxa, que desastre... tentamos ajudar a pegar a linha mas no fim estávamos os 3 enroscados na linha que quase virou um nó cego. Aliás, quase achei que seria meu último dia de trabalho quando a dona da linha deu duas voltas com a mesma em meu pescoço, que será que ela queria fazer?? É sempre um desafio saber onde é o limite daqueles com quem jogamos. Cada um é um, e isso é uma coisa fascinante do nosso trabalho, tratar cada um na sua necessidade e pessoalidade. Felizmente com ela parece termos acertado! Aquela mãe deu muita risada com toda a confusão que causamos...

Este foi um dia de descobertas, descobrimos que o carimbo das enfermeiras é um brinquedo divertidíssimo! Carimbamo-nos com o carimbo da Maria do Socorro (apelidada carinhosamente pelas suas colegas de “Mary Help”). A brincadeira teve direito a grito de guerra do clube “Mary Help” e alguns carimbos na criançada. Fiquei me perguntando se poderia virar moda as crianças passarem por ela pedindo novos carimbos em suas mãos... Legado de confusão, seria esta nossa missão? Rs

A melhor cena do dia ainda ficou por conta da cirurgia de implante de silicone que meus companheiros fizeram no meu dedão do pé! Eu sei lá que idéia foi aquela, mas o Malavazzi comprou o implante no dedão até o fim e por ali foi que caminhamos pelos instantes em que estivemos lá! Ludovico foi um grande cirurgião, nem anestesia precisou! Isso que é competência! De igual competência foram meus gritos de dor, que conduziram as crianças por um riso maior do que eu mesmo poderia prever. Comprar propostas até o fim! Acreditar que mesmo as idéias mais simples podem se tornar grandes quando forem regadas à generosidade!

É, realmente valeu! Este dia pode entrar para o grupo dos melhores dias de hospital! Certamente que este hospital reserva muito para nós!

Estafúrcio