sábado, 20 de fevereiro de 2010

Saltando no Abismo

É... férias é bom mas leva embora a prática. O reflexo do tempo de descanso ficou evidente neste sábado 06/fev quando retomamos as atividades de 2010 no Hospital Menino Jesus.

O aquecimento foi até que caprichado, mas o sentimento do "hoje está difícil" insistiu em nos acompanhar por todo o dia. Parece que a cada quarto fomos cavando um buraco mais fundo e fomos nos relembrando que estávamos enferrujados.

Sim, é lógico que estávamos, que é que iríamos esperar? Mas o que atrapalhou mesmo não foi tanto a criatividade limitada mas a limitação que nós mesmos nos impusemos por meio da cobrança e da derrota.

Porque será que a gente faz isso??

Tivemos que passar por todos os andares para então decidir que o térreo precisaria ser diferente! Me lembro que entramos naquela sala do mesmo jeito que entramos nos quartos anteriores até que o Afonso resolveu subir numa daquelas escadinhas de subir na cama hospitar, a qual estava pelo meio do caminho.

Pronto, foi naquela escadinha que começou aquilo que chamamos de "se lançar no abismo". Entramos no lugar desconhecido e perigoso que permite novas possibilidades que não encontraríamos pelo caminho seguro.

Aos poucos fomos saindo de um discurso e entrando numa história sobre trens, animais, chuva, sol e barquinhos. Abro mão de recontar a história para contar o maravilhoso sentimento de ver meus dois outros colegas (Abobrinha e Janja) fazendo sons e interpretando a história enquanto aquela menina linda compartilhava conosco uma deliciosa risada! CHEGAMOS!

Interessante, todo o potencial estava conosco o tempo todo! Um dia difícil não é um dia ruim, a não ser que nós mesmos resolvamos sugerir isso. Mas daí, melhor chamar a ambulância dos palhaços pois não estamos na nossa saúde plena.

Ser palhaço é também enfrentar a vida com olhos de oportunidade enquanto os que estão a volta paralisaram.

Como eu gosto disso!!

Afonso Estafúrcio

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Personal Clowns

Diferente dos dias anteriores, este sábado foi um dia sem grandes alvoroços. Foi um dia de pequenos grandes acertos técnicos, cheio de momentos em que a teoria palhacística foi colocada em prática.

Um dos quartos que mereceu destaque foi o do garoto de sorriso largo, que nos cativou já logo no início. O quarto estava de luzes apagadas. Uma das crianças dormia e o chão estava limpinho (Dona Maria acabara de sair de lá, ainda com seu crachá ainda errado...). Foi neste clima de tranquilidade que entramos e começamos a jogar no meio do silêncio e de forma pequena. Meu chapéu logo protagonizou a cena pois com o balançar da cabeça ele também se movimenta e, por mais simples que isso seja, trouxe alegria ao menino que nos seus 4 anos achou aquilo divertido. Outras coisas aconteceram e então fomos interrompidos por ele:

-Tio... , eu já tô tomando sopa!

Voltemos às aulas de português e façamos a interpretação do texto....

"Tio" - normalmente as crianças nos chamam de palhaço, de tio foi a primeira vez. rs
"já" - como o tempo das coisas é relativo, não? De qualquer forma deixa claro que a informação seguinte é relevante.
"SOPA" - opa, até eu quis experimentar esta sopa do hospital, deve ser boa!!

A partir daí iniciou-se uma conversa sobre sopas, a qual poderia ter sido até um pouco mais bem explorada, mas o fato é que foi também um gancho para sairmos do quarto na missão de ir verificar se a sopa dele estava sendo feita com capricho. Saímos falando alto pelo corredor com o cozinheiro das sopas.

O pequeno acerto neste caso foi que saímos do quarto mas conseguimos fazer o que gostaríamos que sempre fosse feito, deixar algo no quarto que remeta ao que aconteceu. Fico pensando o quanto a sopa daquele dia ficou mais gostosa pelo que aconteceu lá!

Um outro momento de destaque foi quando entrou um casal no elevador mas o prestativo Afonso encostou no painel de botões do elevador impedindo qualquer escolha de destino. Engraçado, isso acontece quase todo dia no elevador do prédio onde eu trabalho, eu louco pra inventar uma situação nova mas parece que tudo que eu invento já acontece na vida "real"...

Aquela situação acabou causando muitas gargalhadas do casal. Interessante como algumas pessoas ficam tão contentes quando estão sendo perturbadas, não? Deixo esta pro Freud ou qualquer outro cara mais gabaritado que eu. Fato é que a porta temporizada fechou-se e ficamos "presos" por uns instantes o momento em alguém chamou o mesmo noutro andar. O casal ia para o quinto, mas o Afonso acabou apertando o quarto e a dupla "Abobrinha - Afonso" acabou sendo expulsa do elevador neste mesmo andar, o que permitiu ao casal chegar finalmente no andar desejado. Imagino que eles pensaram: "Ufa, ficamos livres dos palhaços". Mas palhaço não some assim da nossa vida com esta facilidade toda. Subimos desesperadamente pela escada e não é que quando a porta do elevador abriu lá no quinto estávamos nós na porta?? Hehe, um laço final para a cena do elevador!

Duas cenas muito distintas, com atuações muito distintas e que deram certo. Sim, nossa principal intenção não é apresentar o que a gente sabe fazer, mas dar aquilo que cada um precisa naquele momento. Neste ponto podemos dizer que somos "Personal Clowns"! Se já inventaram personal trainer, personal dancer, personal whatever, então que seja inaugurada mais esta profissão! Personal Clown! rs

Que nosso trabalho seja cada dia mais sensível à necessidade específica de cada pessoa com a qual nos relacionamos no hospital!

Estafúrcio

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Descontroles

A variabilidade de duplas e trios que se formam a cada sábado dá um colorido novo a cada um dos nossos dias de trabalho. Pena que não temos muito controle sobre esta aquarela, às vezes as cores parecem não combinar muito e nos obrigam a buscar o belo em condições adversas. Certamente que este sábado 04/07 não foi um destes. Tivemos muita sintonia e as cores combinaram direitinho!

Nosso trabalho começa na brinquedoteca com muito poucas idéias. Sempre me pergunto se nossos aquecimentos não deveriam ser mais efetivos, tenho a impressão de que vamos aquecendo aos poucos já no trabalho de campo. De qualquer forma peguei os pinos de boliche que havia lá para brincar de malabarista. Esta parte não foi nada demais. A brincadeira começou a aquecer quando por qualquer razão a brincadeira virou "jogar os pinos de boliche no Estafúrcio". Me vi em meio a uma chuva de pinos e fui tentando pegá-los. Naturalmente que ninguem consegue segurar mais do que 15 pinos. A não ser que se tenha prestativas amigas que te ajudem a colocá-los dentro da blusa, em meio aos braços, no chapéu e onde mais quer que um pino possa se alojar. Por amigas incluo a magnífica Janja, a decidia Abigail e a menininha de 3 anos que eu não sei o nome mas também ajudou com um último pino! Que menina mais linda!!!

Pois é, do nada às vezes podem surgir as melhores brincadeiras! Fui caminhando pelo andar todo cheio de pinos e eles me ajudaram a atrapalhar a limpeza da Dona Maria Portírio (lembra dela?). Sim, seu crachá continua errado! Cheguei no quarto em que ela estava passando pano e, mal entrei e já escuto: "Vão brincar pra lá enquanto eu passo pano.". Uai, será que ela não pode passar pano pra lá?? rs Como sou muito obediente saí prontamente do quarto, tudo bem que alguns pinos acabaram caindo sem querer pelo caminho, mas também não dá pra exigir muito né??

Não pense que os pinos perderam sua função ainda. No quarto seguinte vivemos o jogo mais lúdico destes últimos 13 meses de hospital. Iniciamos uma batucada leve com os mesmos. Paredes, vidros, portas, corpo, tudo virou som. Tudo muito leve, simples, sem alvoroço! Pelo vidro o menino foi incorporando nossa música e respondendo a ela de forma inesperada. A vontade era não mais parar. Entramos finalmente no quarto e aos poucos fizemos o que não deveríamos, abandonamos a música e entramos no nada que inaugurou tempos difíceis.

Sem muitas brincadeiras o menino acabou nos dando um latido como elemento de trabalho. Aquela foi a salvação pois começamos a fingir medo e fugir dele. O melhor teria sido usar isto como elemento de saída, mas esta sabedoria nos faltou em certa medida e o garoto começou a correr atrás de nós pelo corredor do hospital, gritando e latindo. É, a gente se mete numas enrascadas de vez em quando. Foi um tempo de aprendizado no meio da insistente pergunta: "O que fazer?". Como primeira resposta agi como agiria com um cachorro que corre atrás do carro e que não sabe mais o que fazer depois que o mesmo para: PAREI! Praticamente uma estátua! Funcionou!! UFA! Só que não foi eficaz, ele resolveu correr atrás das minhas colegas de profissão e recorri a outro recurso, lembrar o garoto que ele estava nos enganando e que era uma criança e não cachorro, motivo pelo qual não tínhamos mais medo dele. Já levo esta como uma lição aprendida de tirar o estímulo é uma possibilidade ainda dentro do jogo.

Este texto já ficou grande demais, mas não há como deixar de contar o ocorrido no vestiário onde os acompanhantes tomam banho. A equipe de segurança do hospital foi toda mudada e era a primeira semana dos novos que, diga-se, estavam perdidinhos. Chegamos no vestiário e a funcionária nos perguntou: "Vocês vão tomar banho?". Oras, não se pergunta estas coisas pra palhaços: "É claaaro que vamooos!". Sim, sim, Abigail e Janja não acreditaram quando já tinham toalhinhas nas mãos. Vamos ao diálogo:

(Funcionária olhando para Afonso) - Mas você vai ter que esperar elas tomarem primeiro.
(Afonso) - Ah, não tem problema.
(Abigail) - É, a gente toma todo mundo junto. Um esfrega as costas do outro.
(Funcionária) - Então tá...

Foi assim que fomos os 3 para dentro e começamos os preparativos. Primeiro entrei eu no box e já fui pendurando a camisa, colete, abrindo chuveiro e tal. Bom, o ritual rendeu bem, e dava pra render bastante mesmo. Quem foi que disse que palhaço também não toma banho??

Me espanta o quanto as pessoas nos levam a sério. Que passa? Será que não reparam na bola vermelha que nos separa? Ou será que na verdade ela nos une??

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O público do hospital público

Cada Sábado tem suas peculiaridades. Neste estávamos em trio (Quelza, Abobrinha e eu) e parece que estávamos mais para "grandes públicos". Muito do que fizemos foi para grupos de aproximadamente 10 pessoas entre pacientes, funcionários e acompanhantes.

No térreo encontramos um desses grupos, no qual conhecemos uma menina que devia ter uns 10 anos e que era cheia de idéias. Com ela nossa vida foi fácil, pelo menos em termos de criação, porque em termos de atividade ela conseguiu nos entreter bem, quase achei que os pacientes éramos nós! Valeu tudo, brincar de estátua (eu era a estátua), de carregar ela no colo (eu carregava) e cabra cega (eu era a cabra), acho que deu pra entender que precisamos de certa energia lá, não? O engraçado foi que enquanto eu estava lá "cego", aproveitei para ir atrás de uma menina mais novinha que eu não estava sabendo se estava gostando de nós ou não. Caminhei na direção dela e ganhei o presente que mais buscamos, ela saiu correndo dando aquela risada de diversão que só as crianças sabem dar! Fiquei correndo em círculo tentando pegá-las até que entrou uma mãe pela porta de entrada da sala e, não tive dúvida, abracei ela com gosto! Imagino que ela deve ter ficado meio sem saber o que estava acontecendo, mas quem mandou ela entrar assim de repente bem naquela hora? rs

O melhor mesmo foi na recepção, quando encontramos uma pernambucana desbocada que estava disposta a participar de tudo. Já que estava participativa, arrumamos logo uma cerimônia de casamento entre o Abobrinha e ela, um casal perfeito... Todos muito colaborativos, até daminha e padre arrumamos. A sala de espera estava cheia e o painel de senhas parecia não estar dando conta de chamar a todos. Tudo caminhava muito bem, um momento bem bonito do amor a primeira vista e, momentos antes do SIM, a senha da pernambucana apita no painel... O que aconteceu? Aconteceu que ela saiu dali desesperada dizendo que era a senha dela e que precisava ir. Tudo tão rápido que nem o noivo conseguiu entender direito que tinha sido abandonado no altar. Tanta gente querendo casar e ela deixa passar a oportunidade por uma mísera senha? rs Realidades de um povo que sabe que sua chance de ser atendido não é tão certa assim...

Como sempre, muito mais coisas aconteceram, mas vamos parando por aqui pois já é véspera de mais um dia de hospital e eu preciso ir recarregar minhas baterias...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Entre bolas e crachás

Mais um Sábado no Hospital Menino Jesus! Este final de semana foi um dia bom, conseguimos algumas interações marcantes. Uma delas foi com um menino que adora os palhaços e que fica esperando a semana toda por nossa visita. Ele fica na UTI e sabe quando é sábado, dia de palhaço. Tanto ele deve ter falado que muitos médicos e enfermeiras vinham nos dar notícia de que precisávamos passar pelo quarto dele.

Vou descrever brevemente a situação e depois alguém me explica. O menino devia ter uns 6 ou 7 anos, uma má formação na mão e no pé, traqueostomia, dificuldade na fala, excelente humor, disponibilidade para brincar e uma enorme simpatia. Bom, preciso dizer mais alguma coisa? Não é tão frequente, mas de vez em quando encontramos pacientes que tem um olhar positivo para a vida em meio à adversidade e isso nos toca bastante.

Brincamos de várias coisas, o que tecnicamente não é bom, mas o menino teve a atenção que precisava e isso importa mais. Talvez a melhor brincadeira tenha sido a que colocamos bolas brancas e amarelas dentro do ouvido dele. Como é que a bola de bilhar passou pelo ouvido de um menino tão pequeno?? Ora bolas, em mundo de palhaços e crianças tudo pode! Tanto foi possível que as bolas entraram e saíram repetidas vezes conforme orientações de nosso amiguinho! A falta de foco continuou viva e pouco tempo depois iniciamos alguma outra brincadeira e elas ficaram dentro da cabeça dele... qualquer dia o pessoal encontra aí em alguma radiografia... rs

Me marcou também a conversa que tivemos com a faxineira, Maria Portírio, ops, Porfírio. Não, não fiz nenhuma troca infame ou piadinha sem graça com o nome dela, quem fez foi o pessoal do hospital. Vê só? E depois pensam que somos nós palhaços que ficamos fazendo as palhaçadas... O crachá daquela humilde funcionária estava errado e ela nem tinha percebido isso. Maior que isso só foi a gratidão dela. Ficou comentando com todos os colegas que a gente "numa brincadeira" tinha descoberto o erro do crachá. Imagine só, dizia ela, depois eu deixo de trabalhar no hospital e nem vou conseguir meus direitos... Uai, o crachá que define a Maria? Não seria o contrário? Se entendi bem, talvez ela se considere um mero crachá... Tudo bem, agora nós somos amigos dela!

Ah Menino Jesus, me cativas cada dia mais!

Afonso Estafúrcio

terça-feira, 21 de abril de 2009

Revertendo um ínicio ruim

Mais um sábado palhacístico! Este último mês tem sido acompanhado de bastante palhaçada, com várias visitas aos hospitais e aulas todos os sábados a tarde. Apesar de já estar estudando esta arte do há 2 anos e meio, é apaixonante ver como ainda há muito a ser conquistado! Já consigo reconhecer alguns ganhos com o curso atual e isso me anima a buscar uma qualidade de trabalho melhor a cada dia.

Neste dia tive um grande desafio que foi conseguir a unidade estando num trio tão diverso. Como estamos em hospital novo e com turma nova, aos poucos estou conhecendo novos voluntários e isso traz novas possibilidades. Hoje conheci uma palhaça que tem uma linha de atuação bem distinta da minha. Confesso que fiquei assustado e quase desanimado quando a conheci (antes mesmo de estarmos de palhaço) pois notei que a linguagem dela conflitava bastante com a minha. Ainda enquanto me maquiava fui lutando contra esta impressão de que o dia seria ruim e fui tentando mudar meu olhar em relação a tudo isso. A verdade é que o cenário era aquele, não adianta querer as coisas que não existem, é muito mais maduro buscar realização e divertimento com aquilo que se tem nas mãos.

Deixando a filosofia de lado (rs), o dia de trabalho foi muito positivo! Me surpreendi várias vezes ao perceber que a mudança de atitude de minha parte permitiu que houvesse comunicação e sintonia com minha colega palhaça e isso garantiu boas cenas em diversos quartos. Não vou descrever todas aqui para abreviar um pouco o texto, mas foi uma experiência que valeu!
Um dos quartos que trouxe bastante diversão a nós e aos presentes foi um em que brincamos com o silêncio! É, adoro quando isso acontece! Normalmente queremos nos expressar só com palavras, mas usar outras formas de comunicação pode ser uma experiência “mágica”. Foi este o caso! Enquanto lá estávamos, um dos equipamentos do quarto apitou. A proposta que surgiu era que o apito tinha sido causado por conta do barulho. “Silêncio total”! Afonso começou a pedir silêncio a qualquer custo, para garantir que não houvesse um novo apito. A vó do garoto (acompanhante) disparou numa gargalhada gostosa e sem fim. Quanto mais o Afonso pedia que risse em silêncio, mais ela ria! Enquanto isso, uma das palhaças não obedeceu à ordem e acabou sendo levada para fora do quarto pelo próprio Afonso. Como mesmo de lá de fora ela conseguia incomodar, Janja, com todo o seu tamanho, resolveu ir lá fora resolver a situação. De dentro do quarto, pelo vidro da porta, o que se via era a Janja socando (que palhaços violentos... rs) a palhaça desobediente. A cena terminou quando o próprio Afonso sem querer disse alguma coisa e acabou tendo que se expulsar do quarto, “puxando-se” pela camisa.

Paro por aqui, deixando o resto das histórias registradas na memória daqueles que, por razões das mais diversas, ali se encontraram, viveram e exploraram um mundo até então desconhecido de todos.

Afonso Estafúrcio

terça-feira, 14 de abril de 2009

De casa nova!

Hospital Menino Jesus, aqui estamos nós!!! Depois de um tempo de vida de andarilho volto a estar alocado num único hospital. Ludovico e Malavazzi foram meus grandes companheiros nesta manhã, que passou rápida demais para a quantidade de “visitáveis” que tínhamos em nossa lista.

O dia praticamente começa com um pequeno acidente com um rolo de linha de crochê que estava ao lado de uma mãe tricoteira e que acabei chutando “sem querer”. Puxa, que desastre... tentamos ajudar a pegar a linha mas no fim estávamos os 3 enroscados na linha que quase virou um nó cego. Aliás, quase achei que seria meu último dia de trabalho quando a dona da linha deu duas voltas com a mesma em meu pescoço, que será que ela queria fazer?? É sempre um desafio saber onde é o limite daqueles com quem jogamos. Cada um é um, e isso é uma coisa fascinante do nosso trabalho, tratar cada um na sua necessidade e pessoalidade. Felizmente com ela parece termos acertado! Aquela mãe deu muita risada com toda a confusão que causamos...

Este foi um dia de descobertas, descobrimos que o carimbo das enfermeiras é um brinquedo divertidíssimo! Carimbamo-nos com o carimbo da Maria do Socorro (apelidada carinhosamente pelas suas colegas de “Mary Help”). A brincadeira teve direito a grito de guerra do clube “Mary Help” e alguns carimbos na criançada. Fiquei me perguntando se poderia virar moda as crianças passarem por ela pedindo novos carimbos em suas mãos... Legado de confusão, seria esta nossa missão? Rs

A melhor cena do dia ainda ficou por conta da cirurgia de implante de silicone que meus companheiros fizeram no meu dedão do pé! Eu sei lá que idéia foi aquela, mas o Malavazzi comprou o implante no dedão até o fim e por ali foi que caminhamos pelos instantes em que estivemos lá! Ludovico foi um grande cirurgião, nem anestesia precisou! Isso que é competência! De igual competência foram meus gritos de dor, que conduziram as crianças por um riso maior do que eu mesmo poderia prever. Comprar propostas até o fim! Acreditar que mesmo as idéias mais simples podem se tornar grandes quando forem regadas à generosidade!

É, realmente valeu! Este dia pode entrar para o grupo dos melhores dias de hospital! Certamente que este hospital reserva muito para nós!

Estafúrcio

sábado, 21 de março de 2009

Visita Santa

Este sábado começou com um belo café da manhã que a Drika preparou com muito carinho. Bem que ela tinha dito que o faria mas eu achei que fosse mais uma piada apenas. Quem foi que falou que não dá pra levar palhaço a sério??
Só indo lá na Santa (Santa Casa) para entender porque o povo que está lá curte tanto. É realmente um hospital cheio de possibilidades e com um público bastante variado.

Uma cena que ficou marcada foi de 3 crianças que estavam no terraço do hospital e que quando nos viram através da porta de vidro começaram a pular enlouquecidamente de alegria. Não é exagero não, eu nunca fui tão bem recebido pelas crianças quanto desta vez. As três crianças marcaram tanto que preciso contar um pouco delas. O menino, um loirinho, cheio de energia e super comunicativo, dominou esta cena e todas as próximas dos outros quartos (rs). A mais velha das meninas também era bem receptiva e não perdia em nada pro garoto. A terceira não andava, tinha seu próprio carrinho e um largo sorriso, sempre disposta a responder prontamente às nossas piadas. Foi este o trio parada dura que nos conduziu por uma grande troca de nomes que não tinha fim. Sim, a piada era batida, a brincadeira velha conhecida nossa, mas as risadas novinhas em folha!

O térreo também nos trouxe gratos momentos. Na sala de espera encontramos um bom grupo de pessoas que acabaram nos levando por muitos lugares, inclusive o céu!! Sim, sabe-se lá o motivo, mas num determinado momento metade de nós estava no céu e metade no inferno dançando um funk qualquer. É lógico que eu era o anjo e morava nas nuvens... rs... mas que palhaço mais comportado... rs
Se voltasse atrás acho que teria tentado receber mais os estímulos e reagir mais a eles do que propor nossas brincadeiras. Talvez isso nos tivesse conduzido por caminhos ainda mais novos. Ter muita facilidade para propor jogos pode ser um entrave quando recorremos demais aos lugares já conhecidos. Mesmo com este detalhe, o dia foi sim muito bom e rever Múrcia e Catarino foi reencontrar grandes amigos!

E que venham os próximos dias...

sábado, 14 de março de 2009

Retorno ao Darcy...

Depois de alguns finais de semana visitando outros hospitais volto ao Darcy Vargas, que é o hospital que me acolheu desde minha primeira entrada como palhaço no hospital. Zéferino foi meu grande companheiro na jornada deste dia pelo 5º e 4º andares do hospital.

Num dos quartos encontramos 2 crianças (4 e 5 anos) que estavam em pé atrás da cama desacompanhadas. Não me lembro bem o que fizemos, só sei que fui parar no banheiro num determinado momento e acabei ficando preso lá por vários minutos pois a mais serelepe das duas teve a idéia de prender a porta. Quem foi que falou que vida de palhaço é difícil? Apenas tive que ficar lá dentro, praticamente parado, escutando as generosas e largas risadas das meninas do lado de fora. Zeferino bem que tentou me salvar mas não teve muito jeito. Das poucas possibilidades que me restavam lá dentro pudemos brincar de se comunicar por batidas na porta e também passar papel toalha por baixo da porta.

Risadas também nos acompanharam no quarto da menina em que o Zéferino acabou tomando um banho. Eu estava com um funil cheio d´agua na mão (nem vou contar o motivo para encurtar a “leitura”) e aquela água precisava de um destino. Por escolha do público, o grande contemplado foi o Zéferino, que doou sua cabeça seca para nós. Preciso dizer que a menina achou aquilo muito divertido? Ah, já ia esquecendo a cena: eu enrolando para liberar a água no meu amigo e a menina implorando: “Tira o dedo, tira.... tira”... rs. Da água que sobrou também tentei encontrar um destino, o médico que nos visitava neste momento. Ele estava de costas para nós, nem um pouco atento à nossa presença (que inconseqüência...) conversando com a mãe. Foi este o momento de testar meus “sólidos conhecimentos” de triangulação com as meninas ameaçando derrubar água nele também. Por um ato de bondade dos deuses a careca dele foi preservada e continuamos nossa jornada por outros quartos que ficaram na lembrança nossa e, esperamos, na delas também.

Afonso Estafúrcio

sábado, 15 de setembro de 2007

Presente de Aniversário

Nada como um bom motivo para criação deste Blog. Se não estou enganado, neste mês estou comemorando 1 ano de Estafúrcio em minha vida! Talvez surja a pergunta: Mas quem é o Estafúrcio? As possibilidades de resposta são várias, mas prefiro defini-lo como um grande presente de Deus para minha vida e que mudou a forma como eu vejo o mundo e me relaciono com ele. Sou muito grato pela vinda do palhaço para a minha vida.
 
Muitos ficam curiosos para saber de onde ele surgiu. Nem eu sei bem como foi. Outros já imaginam logo que eu adoro animar festas de criança e me vestir com aquelas roupas enormes que "todo palhaço usa". O palhaço, ou clown, me fez ver que muitas vezes nos fechamos e nos cristalizamos numa forma que, não necessariamente, é a nossa. Viver a arte do palhaço é buscar a essência daquilo que somos. Aceitarmos que somos obra de arte de um Deus que usou de toda a sua criatividade para criar cada um de nós.
 
Possivelmente, falarei outras vezes do Estafúrcio por aqui. Mas, acima de tudo, pretendo registrar os caminhos por onde Deus me conduzir e compartilhar as coisas que Ele me ensinar.
 
E lá vou eu... ainda construção...