segunda-feira, 22 de junho de 2009

Entre bolas e crachás

Mais um Sábado no Hospital Menino Jesus! Este final de semana foi um dia bom, conseguimos algumas interações marcantes. Uma delas foi com um menino que adora os palhaços e que fica esperando a semana toda por nossa visita. Ele fica na UTI e sabe quando é sábado, dia de palhaço. Tanto ele deve ter falado que muitos médicos e enfermeiras vinham nos dar notícia de que precisávamos passar pelo quarto dele.

Vou descrever brevemente a situação e depois alguém me explica. O menino devia ter uns 6 ou 7 anos, uma má formação na mão e no pé, traqueostomia, dificuldade na fala, excelente humor, disponibilidade para brincar e uma enorme simpatia. Bom, preciso dizer mais alguma coisa? Não é tão frequente, mas de vez em quando encontramos pacientes que tem um olhar positivo para a vida em meio à adversidade e isso nos toca bastante.

Brincamos de várias coisas, o que tecnicamente não é bom, mas o menino teve a atenção que precisava e isso importa mais. Talvez a melhor brincadeira tenha sido a que colocamos bolas brancas e amarelas dentro do ouvido dele. Como é que a bola de bilhar passou pelo ouvido de um menino tão pequeno?? Ora bolas, em mundo de palhaços e crianças tudo pode! Tanto foi possível que as bolas entraram e saíram repetidas vezes conforme orientações de nosso amiguinho! A falta de foco continuou viva e pouco tempo depois iniciamos alguma outra brincadeira e elas ficaram dentro da cabeça dele... qualquer dia o pessoal encontra aí em alguma radiografia... rs

Me marcou também a conversa que tivemos com a faxineira, Maria Portírio, ops, Porfírio. Não, não fiz nenhuma troca infame ou piadinha sem graça com o nome dela, quem fez foi o pessoal do hospital. Vê só? E depois pensam que somos nós palhaços que ficamos fazendo as palhaçadas... O crachá daquela humilde funcionária estava errado e ela nem tinha percebido isso. Maior que isso só foi a gratidão dela. Ficou comentando com todos os colegas que a gente "numa brincadeira" tinha descoberto o erro do crachá. Imagine só, dizia ela, depois eu deixo de trabalhar no hospital e nem vou conseguir meus direitos... Uai, o crachá que define a Maria? Não seria o contrário? Se entendi bem, talvez ela se considere um mero crachá... Tudo bem, agora nós somos amigos dela!

Ah Menino Jesus, me cativas cada dia mais!

Afonso Estafúrcio

2 comentários:

Nadiella Monteiro disse...

este olhar positivo para a vida é uma dádiva, presente pra quem recebe e pra quem convive com o recebedor...

Unknown disse...

Muito boas suas experiências em hospital! Que Deus continue lhe dando forças para levar um pouquinho de alegria e riso, aliviando um pouco a dor de quem, as vezes, está passando por um momento difícil.